sábado, 29 de dezembro de 2007

Azul, Sul

E ele escreve.
Retorna das cinzas,
oh escuras cinzas.
O verso é escrito em linhas certas,
corretas.
Fluindo calmamente,
com mente,
demente,
pertinente.
Algo sóbrio e certo,
perto.
Portas são abertas e fechadas,
com a velocidade aumentada.
E na freqüência do vento sul,
que serpenteia os campos e brejos do mais puro ambiente azul.
Ele escreve.
Com certeza,
pureza,
sem avareza.
Com a alma purificada.
E a beleza.
Ele escreve.

Le Clown De Théâtre

sábado, 22 de dezembro de 2007

Au revoir

Vou quebrar as regras e dizer um adeus temporário. Após um estágio de 10 dias de auto-destruição, ontem vi algo lindo que quero pra mim. E isso não dá pra comprar mesmo com todo o PIB Luxemburguês.
Vi algo extraordinariamente lindo, algo que fez com que sentisse um frio na espinha dorsal e meu fígado parcialmente destruído se mover estranhamente.
Enfim, isso fez com que eu tomasse uma decisão drástica. Eu disse: ' Eu quero isso pra mim também'. Para que eu consiga isso, tenho que passar por algumas fases. A primeira, será a recuperação física e psicológica. E, conseqüentemente, passarei uns tempos sem ser visto. Não vou escrever, ler, ver, ouvir, falar.
Em suma, passarei um tempo fora do ar. Tempo esse que é indeterminado agora, mas o momento vai determinar o tempo.
Então, sem mais ou menos, adeus.

Le Clown De Théâtre

domingo, 25 de novembro de 2007

Erros Vitrais

Um parque bem arborizado, climatizado,naturalmente criado.
Ambientes intimistas, bucólicos.
Folhas caídas no chão úmido e coberto de musgo.
Um banco, ligeiramente molhado pelo orvalho.
Senta-se então, com seu jornal.
Tinha a pele enrrugada pelos anos de trabalho e sofrimento,
Cabelos brancos e olhos azuis.
Vestia um jaleco preto, simples e obsoleto, e carregava seu jornal matinal.
Apesar de sua aparência frágil, o velho tinha um ar jovial no olhar.
Lia calmamente as letras tortas de jornalistas infames.
Via os anúncios publicitários e demonstrava certo ceticismo com o olhar.
Após várias páginas viradas, algo prende sua atenção { Ah, o velho e bom poder de persuasão }.
Era um anúncio publicitário que dizia: ''Compre os sonhos Mërk e dê adeus aos seus erros de vidro.''.
Ele leu seguidamente, depois parou e olhou para uma figueira frondosa que estava ali perto.
Pensou em toda sua vida e em todas as roupagens, esteriótipos, ações mal calculadas, escudos e barreiras que ele criou.
Por razões fracas e imundas.
Medo, revolta sem bases teóricas justificáveis.
Aparentemente transtornado, cede uma lágrima sofrida aos erros gramaticais de sua vida e quebra os vitrais de sua mente arrependida.
Joga o jornal no cesto de lixo e,
Sente a lágrima ainda quente no seu rosto.
Começa a caminhar pelas trilhas mal pavimentadas de sua mente calejada por um falso moralismo doente.
Descreve-se então, na realidade e sem metáforas, como uma farsa.
Chega a brisa matutina e seca então a lágrima da farsa,
deixando um sentimento sujo e nostálgico.
E o velho jaz ali no banco, suas mãos frias e arrependidas.
No pedaço de papel guardado no seu bolso esquerdo, escreve:
''Finda-se aqui uma vida. Começa-se outra.''

Le Clown De Théâtre

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Duas Noites

Uma coruja branca,
busca alimento na noite.
Neruda, Saramago, Tolstoy, Pessoa...
Letras tortas.
A busca de clareza, beleza, certeza.
Cinco pessoas, um círculo harmonioso.
Um lápis e um pedaço de papel.
Dois olhos.
Quatro olhos que transformam-se em seis rios transcedentes.
Sentimentos perceptíveis que acalmam.
A emoção dos afagos.
A dúvida e a saudade pós-encontro.
O mártir débil e cego.
O coração palpitante em uma noite doente.
O paladar aguçado.
O gosto de uva e o cheiro floral.
O prazer de uma conversa, um abraço e um beijo.
A mudança brusca de ambiente.
A dúvida do querer e da objetividade de uma busca aparentemente mútua.
A pressão indevida,
corretamente observada e corrigida,
com mais um beijo.
O calor.
A intensidade das ações.
O devaneio, acompanhado de lábios doces e carregado de prazer.
A despedida com gosto de ''quero mais''.
O ''já se foi'' e a desesperança póstuma.
O julgamento.
As lembranças de uma noite prazerosa.
Doce e azedo.
Salgado e amargo.
A alma satisfeita.
O fim falsamente nostálgico.
A cama.
Uma boa noite [pra você].

Le Clown De Théâtre

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Limonada

Portão aberto.
- Mas como? Se a chave está trancada do lado de dentro da porta à esquerda da privada do vizinho da esquina amigo do teu pai que se encotra dentro de um prostíbulo na Rua 16 com a Avenida do Conde?
Queria escrever contos.
Queria escrever poemas e contos.
Nada de romances.
Queria coisas curtas, breves, rápidas intensas, negras, amarelas, sujas, brochantes, apaixonantes, amaldiçoadas e feridas.
Queria uma máquina.
Queria remédios para dormir.
Queria um cigarro.
Agora mesmo.
Queria uma rosa
Morta pelo calor do ódio e orgulho.
Queria comer algo diferente de Miojo à noite depois da aula.
Queria não ser trágico.
Queria ler Neruda.
Queria ser ET.
Queria acabar com as mazelas mundiais,
Queria solucionar as minhas primeiro.
Queria nadar de roupa
Queria ser carpinteiro.
Queria beber com Saramago, Pessoa, Assis, Quintana, Cartola e Noel.
Queria morrer no céu.
Queria ser uma metáfora
Queria não escrevê-las.
Queria um abraço forte e verdadeiro
Queria espadas para matar o amigo carteiro.
- Olá, o que você quer de mim?
- Saber o que quer.
- Quero saber o que queres de mim!
- Quero que me ame profundamente, intensamente, fielmente, tolamente, eternamente. Aceitas?
- Talvez. O que eu ganharia com isso?
- Um coração só teu. Faça o que quiser dele. Mas não tentes enganá-lo. O contrato será registrado no céu, inferno e purgatório. Se quebrar, receberás o castigo.
- Há riscos...
- Aceitas ou não?
Quero fazer 25 anos.
Quero pintar o rosto.
Quero um barco e um banco.
Quero surfar em prantos.
Quero não fazer rimas.
Quero ser niilista.
Quero matar você.
Quero ser narcisista
Quero amar você
Quero ser tolo, mané .
Quero ser frio, calculista.
Quero congelar.
Quero não pontuar esse texto
Quero esquecer o que é vermelho, trevo, frevo
Quero fazer o impossível
Quero a função metalingüística.
Quero....
- Aceitas ou não?

Le Clown De Théâtre

ps:. Aviso: Apatia permanente. Afastem-se ou assumam o risco de tentar a salvação.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Break

Ah, essa escuridão.
Tão saborosa.
Sabor galinha caipira.
- Mãe, faltou energia.
Assim como Dylan nos filmes.
- Um cigarro a mais não te matará.
Sem palavras.
Sem compreensão.
Ah, os pássaros chegaram para alegrar-me.
- Não, são só urubus querendo você, seu lixo.
Calor.
Jurei não falar mais no calor dessa cidade escaldante,
que recebe, às vezes, a alcunha de ''portal do inferno''.
Sim, suporto o calor como faço com minha própria existência.
Sem falar, sem gosto, cheiro (sinusite).
- Não há prazer nisso, guri.
- Aprenda, então.
- Você é um tolo. E um porco chuvinista também.
Mente vazia, sem trocadilhos.
Até as obsuridades de uma mente suja conseguem enganar o rapaz.
Mais um cigarro.
- Não consigo mais olhar pra você e ver o que conseguia ver antes.
- Que bom! Chá?
Eterno dilema.
Abrir a janela?
Ah, ela está aberta há algum tempo.
Esperando o vento certo para, rispidamente, tocar minha face.
Eternamente, esperar.
Creio que ele está perto.
Falta um pouco de força à esse vento.
Sim, ele possui um potencial enorme.
Assoprar?
Não. Deixa ele atravessar minha janela naturalmente.
Apatia.
Temporária.



Le Clown De Théâtre

sábado, 27 de outubro de 2007

Clarice, Oh Lispector!

Hoje não escreverei,
escrevendo.
Sentir um perfume doce em letras e versos,
enquadrados em vidros belos.
Sem querer rimar, rimo o mimo de suas palavras.
Essas palavras sujas de tua timidez corajosa,
Oh senhora das horas.
Leve-me para teu mundo sombrio, carregado de sorrisos marotos
e sombras distorcidas.
Cheio de rosas desbotadas é o teu mundo, Clarice.
A alvorada de tuas palavras, ricas em desesperança concreta e bela,
adentra meu corpo como um vírus.
Ah, Clarice, se soubesses como choro...
Agradeço por ter assassinado meu coração,
o mesmo que você rifou.
Clarice, sempre. Amor.

Le Clown De Théâtre

ps: Texto escrito em homenagem à Clarice Lispector. Segue abaixo, o texto ''Rifa-se um coração'' de autoria da mesma.


Rifa-se um coração.

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado,
meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos,
e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu… “não quero dinheiro,eu quero amor sincero, é isso que eu espero…”.
Um idealista…
Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo,defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras.
Um órgão que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
'' O Senhor pode conferir'', eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer”.
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e,
a ter a petulância de se aventurar como poeta.


Clarice Lispector

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Untitled 6


Pinturas.
Músicas.
Mágicas.
Gravuras.
Teatro.
Cinema.
Rosa.
Prosa.
Sem rima, por favor.
Definhando.
Envelhecendo.
Morrendo.
Vivendo.
Chovendo [espinhos negros].
Sangue escorrendo pelos olhos.
Cansados.
Sempre a esperar uma anormalidade,
algo que fuja do cotidiano.
Olhos turvos, cegos por uma manta negra.
Inteligentes.
Brutalmente sábios.
Tímpanos fechados permanentemente.
Sem audição.
Lábios travados por um corte profundo.
Sem fala.
Sentidos abandonados,
atos meticulosamente calculados.
Friamente.
- Você não é mais um humano.
Esses são meus parafusos desconcertantes.
Não tente consertá-los.
Amargue o gosto da vitória.
Enfim, quem ganhou mesmo ?
O coração.
The last years of my life.
Le Clown De Théâtre

Lembrete...



I am a tree.
Fallen apart.
Waitin' for a gardener
to take care of me
Summer, winter, spring...
No, I'm a tree.
My roots got cold now.
Snow on it.
Oh, come to me, sun.
Rise, tree, rise.
I'm looking for a gardener.
I think I've found the gardener.
She's over there, in that corner.
In the grass.
I still can see...
But I must wait.
The gardener ain't ready to feed my roots.
Our roots.
I am a tree, hell! I can wait.
I've been waiting all my life...
How can't a tree be patient?
Ah, I still have to learn.
Hey gardener, I'm here.
I won't go anywhere.
I'm a tree anyway.
Come...whenever you want.
Feel free to see this tree.
Dawn in my roots now.
I feel hope.
The gardener will come.
I just need...to....

Rise, tree, rise!


Le Clown De Théâtre



''Buck up - never say die. We'll get along!'' - Charles Chaplin

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Path of Flowers, Le Clown De Théâtre












Pintou sua vida em toques requintados.
Acertou-me.
Como um relâmpago,
Acertou-me.
E ali, sós,
percorri todas suas curvas.
Observei até as mínimas imperfeições.
As mesmas que tanto admiro.
Eu disse:
- Vejo luz e borboletas multicoloridas brincando juntas.
Sorri.
Um sorriso feliz, aquele que sempre faço quando contemplo a beleza.
- Que luz! Que belo.
Beleza que transcede a linha do normal, diferente de tudo que já vi, ouvi, senti.
Olho-te. Desejo-te.
Fico perplexo, como pode haver tanta beleza num ser só.
Você é inexplicável em palavras.
Observo-te. Aprendo. Ensino.
Hoje, sei que vivo.
Trevas? Nunca mais.
Tua luz alimenta-me.
Seduz minha alma sombria.
Conforta.
Você tem essência.
Doce como o cheiro da tua pele.
Espero.
Espero.
Espero.


Mas, o fim, revela-se o começo.


Le Clown De Théâtre

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Dead Cold Killer

Pulp Fiction, Quentin Tarantino

- Fui contratado hoje.
- É? Que ótimo. O que vai fazer?
- Matar.
Mortos morrem? Mortos matam? Mortos amam?
Sentiu então o vento norte passar violentamente sobre seus cabelos castanhos,
Embaraçando-os.
Escolheu a trilha sonora perfeita.
Foi à caça.
Eram 2 horas da manhã.
A festa ainda estava sem graça.
- Olá. Fui contratado para matar. Posso te matar?
- Oh! Estou surpresa! Mas, desculpe-me, a resposta é não.
Mais um cigarro.
Mortos amam para matar? Mortos matam para amar?
- Esse é o fim, baby.
Boom!
- Isso foi a experiência mais incrível da minha vida. Obrigado, assassino.
- De nada, baby.
Sorriso estampado.
Silêncio nos olhos.
- E vi beleza. Eu vi. Olhos não podem mentir.
Respostas concretas?
Não, baby. Não.
Inexplicável.

Le Clown De Théâtre



sábado, 13 de outubro de 2007

No, Thanks.

Hope, Le Clown De Théâtre


Try to understand. I'm not a wicked player. I can't play anyway. I'm a looser. Being crashed every night. Hurt me up. I don't feel it anymore. I don't care as well. Kill me? Won't take me out of your blowin' mind, dear.I don't want to see you. I don't want to talk to you. I don't want you close to my home. I want you to cry like a baby in the rain. See you that night was a pain in the arse, you're so out of style, out of me... You're evil. So, don't call me, don't you ever try! or I'll kill you. Good Bye, slut.
Le Clown De Théâtre

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Venus

Nascita di Venere, Sandro Botticelli -c. 1482–1486

Minha flor.

Amor.

Calor.

Amo-te tão facilmente quanto vejo beleza nos teus olhos marejados.

Ah, marejar...

Velejar...

Velejar em teus versos inocentes, inteligentes.

Percorrer teus braços calorosos, amigáveis.

Celebrar tua vida, tuas belezas e incertezas.

Amor.

Petrifico tua imagem em cartas simbólicas

e despejo tudo em meu subconsciente mofado de sentimentos velhos.

Bela.

Bela dona de sorriso fácil, olhar meigo porém severo,

cabelos límpidos e longos fios castanhos.

Teu andar causa arritmia cardíaca.

Tua beleza impenetrável é o mistério do século.

Revolucionária.

Revolucionas o mundo, o meu mundo, o teu mundo.

Não apenas com um cabelo tingido de roxo.

Será tão simples assim?

Não. Teu ato revolucionário é não ter medo de mostrar tua beleza

para todos,

mostrando teus dentes perfeitinhos e sorriso perfumado.

Exibindo tua franqueza, leveza, destreza...

Acalmando tormentas, pacificando corações, aliviando dores.

Tua existência? Matéria de estudo meu.

''Ela existe.''

Amo-te, Linda Ainda Inda.

Le Clown De Théâtre

ps:. Texto inspirado em uma amiga.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

Carta de Despedida

Obrigado à todos que acreditaram em mim.
Obrigado à todos que não acreditaram.
Por anos busquei a morte.
E hoje, nessa cadeira elétrica, ela me abraça forte e diz:
- Olá, amigo, Vim te buscar. Vamos?
Pensar em todos os momentos felizes de minha vida?
Não, eu só pensei nela.
Ela, Ela, Ela e Ela.
E depois, neles.
Os Três seres mais importantes da minha vida.
Pedir perdão.
Perdão.
E tenho a morte como testemunha.
Tudo aquilo que deixei de fazer por eles...
Perdão.
Olho nos olhos negros da morte,
Dou um sorriso sincero e aliviado, e digo:
- Vamos, amiga. Estou pronto.



Le Clown De Théâtre

domingo, 23 de setembro de 2007

Oldness

Untitled, Unknown Artist

Velha.

Sinta-se Velha.

Sinta a velhice chegando e acalmando todas as tuas células ainda ativas.

Como um calmante natural.

Sinta-se apaziguada,

restaurada,

descansada.

Dance com ela,

converse,

ame,

minta,

acalme-se,

fume-a,

aprenda,

faça tudo isso e muito mais com ela.

Pois serão companheiras até....

Até o dia que ela consiga sugar todas suas energias.

Velhice, Amiga inevitável.

Para alguns.

Viva a velhice na plenitude de seu conhecimento.

Ame-a.

Odei-a.

Seja um jovem velho.

Não escolha,

Ensine.

Velhice.

por Le Clown De Théâtre


terça-feira, 11 de setembro de 2007

Un grand silence

Velimir Trnski, Silence




Sentamos.

Nós três.

Calados, comemos.

Um almoço com desprezo

e degustado com rispidez.

Calados ficamos.

Calados saímos.

Sentimentos humanos detestáveis.

Orgulho, remorso, vergonha e raiva ( temporária ).

Quietos permanecemos.

O resto do dia.

Um prato sujo.

Uma xícara de chá.

Solitários.

Permanecemos assim.

Silenciosamente sós.

por Le Clown De Théâtre





segunda-feira, 3 de setembro de 2007

18 secondes pour le lever de soleil (aka 18 sekúndur fyrir sólarupprás )

Sólarupprás, Faskrudsfjordur - Ísland
Ah, momento sublime.
Aquele que nunca esqueceu.
Só saberás o preço
quando sentires os primeiros raios do sol
esquentando teu corpo nu.
Sabes que um dia te encontrarei, oh eu.
E nesse dia, sentaremos juntos,
fumaremos juntos,
conversaremos...
sobre o raiar do sol.
Espero que seja de uma manhã fria.
Amo manhãs frias.
Espero que gostes também, oh eu.
E não rias de minhas baboseiras neo-românticas.
Não consegues sentir a beleza do momento?
Ah, desprezo teu humor negro nesses segundos preciosos, oh eu.
Isso, se tiveres algum...
Esperarei até o último segundo,
até que aprendas a arte de apreciar a beleza do infinito.
Pensas que pode com essa força?
Pobres cegos aqueles que pensam assim, oh eu.
Espero que não penses...
pois quando encontrar-te cortarei teus bagos fora!
Falo sério, oh eu.
Deves apreciar a coisa toda como um poder.
Poder que não podemos possuir ou controlar.
Ah, eu... quando encontrar-te, enviarei-te flores.
Forçarei saídas e conversas calorosas...
sobre algum escritor norte-americano vagabundo.
Ah, eu...espero que gostes de Bukowski.
Ao menos isso, seu verme!
Espero-te ansioso.
Nos veremos por aí,
antes do último raio poente
secar aquela gota de suor teu
que escorre lentamente,
oh eu.
por Le Clown De Théâtre

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Je suis...

Clarice Lispector, Tentativa de ser alegre, 1975
Ele queria ter a certeza
De que vai dar certo.
Algum dia.
Algo que ele fez...
faz.
Como 2+2=4
Mas como não se fala em ciência exata,
fica a esperar.
Algo que possa satisfazê-lo.
Plenamente.
Profundamente.
Intensamente.
A fraqueza,
que vez ou outra visita-o...
Será os três copos de suco de maracujá?
Agregado à falta de algo...
alguém...
- Sinceramente, acho que deverias volver.
- Sinceramente, acho que não.
- Razões?
- Várias.
- O que vai fazer então?
- Eu preciso andar.
O velho andarilho começa então,
uma peregrinação
dentro de si.
A busca de um resquício de alma,
No auge de sua jovem velha vida
Ele busca.
Enquanto continua
a brincar com palavras.
por Le Clown De Théâtre

sábado, 18 de agosto de 2007

Un peu rapide

Paul Klee, Angelus Novus (1920)
Um pouco de sal.
Mais rápido,
vasculha lembranças.
Diga oi.
- Oi.
- Olá moço, como vai você?
Espantoso.
Lembre o que ela te fez.
- Estou ótimo.
Sarcasmo.
Ela sabe.
- Então, como vai na faculdade?
Não seja sincero.
- Horrível. Não tenho tempo para mais nada a não ser ler livros ridículos
sobre uma sociedade hipócrita e é claro, fumar um cigarro de tempos em tempos.
Longo demais.
Seja rápido e impiedoso.
- Hmmm, pensei que estivesse gostando. Olha... eu...
Não permita isso!
- Tem um cigarro?
Pergunta certa na hora perfeita.
Ela está surpresa!
- Tenho sim. Aqui está.
Fume e não olhe diretamente nos olhos.
- Olha, eu realmente não queria causá-lo problemas.
Pausa para um trago.
- Podemos ser apenas amigos?
Resista!
- Claro que sim.
Mentira!
Não quer mais minhas valiosas dicas?
Ótimo.
Silêncio.
- Hmm. Ok. Então... você me desculpa?
{Abriu o mais profundo e sombrio quarto de sua mente.
Fumou o último trago.
Jogou o cigarro no chão.
Olhou diretamente naqueles olhos escuros
que tentavam escapar atrás de um óculos.
Mais silêncio.
Ela continuava ali, sem mover um músculo.
Apenas...
Fitava-o.
Com um olhar definitivamente aterrorizado.
Estava perplexa.
Um pouco de sinceridade.}
- Não. Ainda não.

por Le Clown De Théâtre

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Solitude

Henri de Toulouse-Lautrec, Seule (1896)
Analisei friamente o semblante.
Não estava quente.
Então conclui com base nos porões escuros da mente humana,
que estava diante de um ser iluminado!
Pois é... inesperável reação viciosa.
Deixou de ser imagem.
Realidade obscura de uma mente sedada,
transmutada, mutilada, amaldiçoada.
Jurou de pés juntos,
que nunca mais iria voltar.
Acreditar no silêncio, disse.
Silêncio.
Após os 15 segundos da maravilhosa experiência,
tudo volta ao ''normal''.
O sol, a dor, o branco,
azul.
Gigantes brincam, pensou.
Vazio.
Desespero.
Preto e branco.
Solidão.
por Le Clown De Théâtre


terça-feira, 7 de agosto de 2007

La fin des jours

Carlos Schwabe, La mort du fossoyeur

Palavras soltas.
Sem nexo.
E ele lá,
sentado.
Esperando algo chegar.
E o vento traz o aviso
como uma leve brisa:
''Levanta-te, oh ser amaldiçoado!''
Perambula pela ruacomo o pior das criaturas.
Sem sentir, ouvir, digerir.
Transformado em um fantasma,
Ele roda a cidade
procurando algo.
Algo que nem ele mesmo sabe o que é(ou será).
Algo inexistente no seu vocabulário,
pois ele nunca...
nunca sentiu, ouviu, digeriu.
Não aquilo que busca.
E ele segue, nas tardes infernais
e noites frias que tanto admira.
Buscando algo que parece nunca encontrar.
Ele acha a busca,
apesar de sofrer,
hilária.
Pois pensa em sorrir,
tentando achar o que procura.
Tarde da noite,
o céu é testemunha.
Céu, fantasmas, demônios, caos.
Anjos da noite que como ele,
buscam algo desconhecido.
É o fim dos dias, dizem.

domingo, 5 de agosto de 2007

Completais moi


Claude Monet - Impression, soleil levant (1872)
Aqueles segundos
que antecedem tudo
Esses sim, Perfeitos algozes.
Decisão,
Indecisão.
Olhou para o lado,
o suor,
o cheiro do perfume floral.
A agonia consegue finalmente
se misturar ao desespero.
Os dois corpos ali,
quentes e exalando desejo.
Uma intoxicação natural.
Um querendo mais que o outro.
Um desejo não tão desejado.
Então, percebe que não gosta.
Não tolera aquilo,
com esse gosto amargo.
Sente-se repugnante.
E quando deita,
lembra de tudo.
E continua sentindo o agonizante vazio.
Sente-se incompleto.
Mesmo depois de tudo.
Deseja morrer, matar, se matar.
Mas não vem.
Pois noite após noite,
continua queimando a vida.
De cigarro a cigarro.
Mas no final,
o desejo real:
Complete-me.
por Le Clown De Théâtre

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Douleur

Edvard Munch, Skrik (1893)
Você.
minha dor.
meu amor.
meu rancor.
Dor que insiste em me assombrar.
Eternamente.
O horror de te ver
e não sorrir como você...
com você.
Não aproveitar esse momento teu.
Por quê ?
Por que não deixas sorrir contigo?
E se deixar...
Será que consigo?
Só posso sentir,
E não a ter
aqui, num cantinho só nosso.
Dói.
por Le Clown De Théâtre

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Espoir ( Von )

Gustav Klimt, Die Hoffnun (1903)
Anos por vir.
Luzes cegantes futuras,
ou não.
Certezas de frutas sem gosto.
Mas esse aroma...
Contagiante!
Misterioso!
Vivo entorpecido com a esperança.
Somados a medos incontraláveis.
'' E agora, meu chapa?''
Agora...
Agora?
Bem, agora...
Furtivamente acho uma fuga.
Como um verdadeiro larápio de sonhos.
Chances descartadas numa lata de lixo.
Possivelmente feridos por uma razão incontrolável.
E no fim,
A você, resta o quê mesmo?
Espólios de mais uma batalha vencida?
Odores que a elevam ao patamar de uma deusa?
A mim...
A mim só restam cheiros fétidos de mais uma derrota.
O constante sabor amargo.
A alcunha de perdedor.
O silêncio estreitamente ligado à indiferença dos meus atos heróicos,
ininteligíveis aos teus olhos.
O eterno carinho e amor por você,
E a vontade incontrolável de estar ao teu lado.
Oh vencedora.
Oh esmagadora máquina semi-humana.
Que consegue trazer à tona
Os mais profundos sentimentos dualistas.
Que hora amam,
Hora desaprovam teu ser.
Desaprovam esse teu ar misterioso.
A incerteza sobre o que pensas sobre mim
Consegue deixar esse pobre mortal ávido por sentimentos puros
Louco.
Contudo, no fim da noite,
Quando o caminho parece estar no fim,
Sons, risos teus que alegram o ar.
Imagens suas alegremente postadas em um quadro
Emoldurado em luzes nunca vistas.
Que representam a beleza mais misteriosa.
Que fazem o pobre mortal ferido eternamente,
Abrir o mais belo sorriso.
E ter forças para continuar tentando.
A pura e completa representação da
Esperança.
por Le Clown De Théâtre




Lumière et Amour

Flor, dor, cor. Cor não. Não agora.
Primeiro, cores ofuscas, desculpas, sujas, sombrias.
Flores dilaceradas por uma escuridão.
Dor, mil vezes dor. A dor pior do que a própria dor.
Escuridão boa sim, pensamentos obscuros, teses infames porém fundáveis.
Então, depois, Luz.
Luz...
Claridade que escurece a visão primeiramente.
Confunde. Humilha.
Depois arrebata, apaixona.
Ilumina o dia e noite
E até a mente mais escura, frágil, debilitada, suja.
E se... Luz igual a dor ?
E se... Luz igual a flor?
E se... Luz igual a cor?
Dor, amor, cor, flor....
Amo.

por Le Clown De Théâtre