sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Break

Ah, essa escuridão.
Tão saborosa.
Sabor galinha caipira.
- Mãe, faltou energia.
Assim como Dylan nos filmes.
- Um cigarro a mais não te matará.
Sem palavras.
Sem compreensão.
Ah, os pássaros chegaram para alegrar-me.
- Não, são só urubus querendo você, seu lixo.
Calor.
Jurei não falar mais no calor dessa cidade escaldante,
que recebe, às vezes, a alcunha de ''portal do inferno''.
Sim, suporto o calor como faço com minha própria existência.
Sem falar, sem gosto, cheiro (sinusite).
- Não há prazer nisso, guri.
- Aprenda, então.
- Você é um tolo. E um porco chuvinista também.
Mente vazia, sem trocadilhos.
Até as obsuridades de uma mente suja conseguem enganar o rapaz.
Mais um cigarro.
- Não consigo mais olhar pra você e ver o que conseguia ver antes.
- Que bom! Chá?
Eterno dilema.
Abrir a janela?
Ah, ela está aberta há algum tempo.
Esperando o vento certo para, rispidamente, tocar minha face.
Eternamente, esperar.
Creio que ele está perto.
Falta um pouco de força à esse vento.
Sim, ele possui um potencial enorme.
Assoprar?
Não. Deixa ele atravessar minha janela naturalmente.
Apatia.
Temporária.



Le Clown De Théâtre