segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fábrica de sonhos

Nesses dias sombrios, frios por natureza
há um refúgio.
Onde poder é tudo.
Sem pensar, ou pensando demais,
cada indivíduo consegue construir seu próprio mundo.
Viaja-se.
Então, você vê uma linda cabana, iluminada pelos primeiros raios de uma manhã chuvosa.
Há livros, filmes e café em abundância.
Então você lembra de todo o horror que a realidade pode trazer.
Todas as mazelas que o mundo pode ter.
Então você pensa que está doente.
Doente por querer sonhar.
E, propositalmente, você busca a cabana,
um lar.
E o mundo real reclama, marca fisicamente seu corpo com cicatrizes e lágrimas sofridas.
Essa casa é escura.
E quando todo o horror de uma sociedade real te machuca,
a única coisa que você quer é voltar a sonhar,
Ficar em uma bolha, num cantinho.
Vê o rosto amado, dizendo:
- Bom Dia, meu pesinho.
Essa é a fábrica de sonhos.
Pois quem a tem,
é um drogado e um maldito sonhador
que tenta fugir de uma sociedade opressora e cruel.
Fabricar sonhos é perigoso,
viver neles ( e deles ) é uma utopia.
E ali, só ali, é possivel construir um mundo próprio.
Inteiramente nosso.

Le Clown De Théâtre

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O conto maquiado dos senhores Ontem, Hoje e Amanhã

Hoje, como ontem, não consegui dormir.
E hoje, como ontem, escrevo.
Porém hoje, como não fiz ontem, começo a escrever sem saber a razão
tampouco o ''sobre'' ou o ''como''.
E sei que ao término disso tudo, vou olhar e cuspir algo como '' Horrível''.
Então, escrevo sem medo, como ontem.
Mas sem saber se é um poema ou uma sentença.
Sei que sentenciarei minha alma à um ser iluminado.
And that's for sure, mate.
E sei também que a minha ausência não será sentida.
Por isso, sentenciei meus dedos, minhas mãos e todo o resto do meu corpo
à uma reclusão em algum canto desse quarto que insiste em querer me expulsar pra bem longe.
Egoísmo?
Talvez.
E se for, foda-se.
E hoje, como ontem, quero sair dessa gaiola infernal e voar para longe.
Para algum lugar frio.
Ontem, como não tenho hoje, tenho mais certezas do que antes.
Obrigado.
E o hoje, depois do ontem, penetrou na minha alma de uma forma indestrutível,
de mãos dadas com o amanhã.
O ontem fica atrás, cutucando com vara curta o hoje.
Até chegarem à um coração onde só existe uma pessoa.
Então os senhores hoje e amanhã, cansados do irritante ontem, viram-se e gritam:
- Vai se foder, seu pedacinho de merda!
Ontem se foi, assim como a primavera.
E levou consigo más recordações.
Hoje, como amanhã, querem ir embora.


Le Clown De Théâtre