sábado, 27 de outubro de 2007
Clarice, Oh Lispector!
escrevendo.
Sentir um perfume doce em letras e versos,
enquadrados em vidros belos.
Sem querer rimar, rimo o mimo de suas palavras.
Essas palavras sujas de tua timidez corajosa,
Oh senhora das horas.
Leve-me para teu mundo sombrio, carregado de sorrisos marotos
e sombras distorcidas.
Cheio de rosas desbotadas é o teu mundo, Clarice.
A alvorada de tuas palavras, ricas em desesperança concreta e bela,
adentra meu corpo como um vírus.
Ah, Clarice, se soubesses como choro...
Agradeço por ter assassinado meu coração,
o mesmo que você rifou.
Clarice, sempre. Amor.
Le Clown De Théâtre
ps: Texto escrito em homenagem à Clarice Lispector. Segue abaixo, o texto ''Rifa-se um coração'' de autoria da mesma.
Rifa-se um coração.
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado,
meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos,
e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu… “não quero dinheiro,eu quero amor sincero, é isso que eu espero…”.
Um idealista…
Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo,defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras.
Um órgão que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
'' O Senhor pode conferir'', eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer”.
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e,
a ter a petulância de se aventurar como poeta.
Clarice Lispector
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Untitled 6

Lembrete...

I am a tree.
Fallen apart.
Waitin' for a gardener
to take care of me
Summer, winter, spring...
No, I'm a tree.
My roots got cold now.
Snow on it.
Oh, come to me, sun.
Rise, tree, rise.
I'm looking for a gardener.
I think I've found the gardener.
She's over there, in that corner.
In the grass.
I still can see...
But I must wait.
The gardener ain't ready to feed my roots.
Our roots.
I am a tree, hell! I can wait.
I've been waiting all my life...
How can't a tree be patient?
Ah, I still have to learn.
Hey gardener, I'm here.
I won't go anywhere.
I'm a tree anyway.
Come...whenever you want.
Feel free to see this tree.
Dawn in my roots now.
I feel hope.
The gardener will come.
I just need...to....
Rise, tree, rise!
Le Clown De Théâtre
''Buck up - never say die. We'll get along!'' - Charles Chaplin
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Acertou-me.
Como um relâmpago,
Acertou-me.
E ali, sós,
percorri todas suas curvas.
Observei até as mínimas imperfeições.
As mesmas que tanto admiro.
Eu disse:
- Vejo luz e borboletas multicoloridas brincando juntas.
Sorri.
Um sorriso feliz, aquele que sempre faço quando contemplo a beleza.
- Que luz! Que belo.
Beleza que transcede a linha do normal, diferente de tudo que já vi, ouvi, senti.
Olho-te. Desejo-te.
Fico perplexo, como pode haver tanta beleza num ser só.
Você é inexplicável em palavras.
Observo-te. Aprendo. Ensino.
Hoje, sei que vivo.
Trevas? Nunca mais.
Tua luz alimenta-me.
Seduz minha alma sombria.
Conforta.
Você tem essência.
Doce como o cheiro da tua pele.
Espero.
Espero.
Espero.
Mas, o fim, revela-se o começo.
Le Clown De Théâtre
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Dead Cold Killer
- Fui contratado hoje.
- É? Que ótimo. O que vai fazer?
- Matar.
Mortos morrem? Mortos matam? Mortos amam?
Sentiu então o vento norte passar violentamente sobre seus cabelos castanhos,
Embaraçando-os.
Escolheu a trilha sonora perfeita.
Foi à caça.
Eram 2 horas da manhã.
A festa ainda estava sem graça.
- Olá. Fui contratado para matar. Posso te matar?
- Oh! Estou surpresa! Mas, desculpe-me, a resposta é não.
Mais um cigarro.
Mortos amam para matar? Mortos matam para amar?
- Esse é o fim, baby.
Boom!
- Isso foi a experiência mais incrível da minha vida. Obrigado, assassino.
- De nada, baby.
Sorriso estampado.
Silêncio nos olhos.
- E vi beleza. Eu vi. Olhos não podem mentir.
Respostas concretas?
Não, baby. Não.
Inexplicável.
Le Clown De Théâtre
sábado, 13 de outubro de 2007
No, Thanks.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Venus
Minha flor.
Amor.
Calor.
Amo-te tão facilmente quanto vejo beleza nos teus olhos marejados.
Ah, marejar...
Velejar...
Velejar em teus versos inocentes, inteligentes.
Percorrer teus braços calorosos, amigáveis.
Celebrar tua vida, tuas belezas e incertezas.
Amor.
Petrifico tua imagem em cartas simbólicas
e despejo tudo em meu subconsciente mofado de sentimentos velhos.
Bela.
Bela dona de sorriso fácil, olhar meigo porém severo,
cabelos límpidos e longos fios castanhos.
Teu andar causa arritmia cardíaca.
Tua beleza impenetrável é o mistério do século.
Revolucionária.
Revolucionas o mundo, o meu mundo, o teu mundo.
Não apenas com um cabelo tingido de roxo.
Será tão simples assim?
Não. Teu ato revolucionário é não ter medo de mostrar tua beleza
para todos,
mostrando teus dentes perfeitinhos e sorriso perfumado.
Exibindo tua franqueza, leveza, destreza...
Acalmando tormentas, pacificando corações, aliviando dores.
Tua existência? Matéria de estudo meu.
''Ela existe.''
Amo-te, Linda Ainda Inda.
Le Clown De Théâtre
ps:. Texto inspirado em uma amiga.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Carta de Despedida
Obrigado à todos que não acreditaram.
Por anos busquei a morte.
E hoje, nessa cadeira elétrica, ela me abraça forte e diz:
- Olá, amigo, Vim te buscar. Vamos?
Pensar em todos os momentos felizes de minha vida?
Não, eu só pensei nela.
Ela, Ela, Ela e Ela.
E depois, neles.
Os Três seres mais importantes da minha vida.
Pedir perdão.
Perdão.
E tenho a morte como testemunha.
Tudo aquilo que deixei de fazer por eles...
Perdão.
Olho nos olhos negros da morte,
Dou um sorriso sincero e aliviado, e digo:
- Vamos, amiga. Estou pronto.
Le Clown De Théâtre

